O Sapo que Queria Ver o Mar — Uma História de Sonhos
Num brejo escondido entre pedras e bambus, vivia um sapinho chamado Pulinho.
Todo dia ele subia na pedra mais alta do brejo e ficava olhando para o horizonte, tentando enxergar o que havia além das colinas verdes.
Os outros sapos diziam que lá longe existia algo enorme, salgado e azul — chamado mar. E Pulinho sonhava com ele toda noite.
Quando Pulinho contou seu sonho, a zoeira foi geral:
"Sapo não vai pro mar, Pulinho!" — gargalhou o Barrigudo.
"O mar vai te engolir!" — coaxou a velha Rã Marta.
Pulinho olhou para a lama do brejo e sentiu um aperto no peito. Mas dentro dele, uma vozinha dizia: "Vai sim. Vai sim."
Pulinho partiu numa madrugada fria. A estrada era longa, pedregosa e cheia de armadilhas.
Choveu por três dias seguidos. Ele escorregou em barrancos, atravessou rios caudalosos e dormiu ao relento sob folhas de bananeira.
Mas a cada manhã, ele olhava para frente e dava mais um pulo. E mais um. E mais um.
Exausto, Pulinho encontrou uma arara colorida pousada num coqueiro na beira do caminho.
"Sapo viajante, aonde vai você?"
"Vou ver o mar!" — respondeu Pulinho com os olhos brilhando.
A arara abriu as asas enormes e sorriu: "Então continue! O mar fica logo além daquela última duna. E ele é ainda mais bonito do que você imagina."
Pulinho subiu a última duna arrastando suas patinhas cansadas — e então viu.
O mar. Imenso, azul, reluzindo sob o sol como mil espelhos quebrados. As ondas chegavam e iam, chegavam e iam, como uma respiração gigante e gentil.
Pulinho ficou parado por um longo tempo, com o coração tão cheio que nem conseguia coaxar. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto verde.
Pulinho voltou ao brejo. Os mesmos sapos que riram agora o cercavam, boquiabertos.
"Como é o mar, Pulinho?"
Ele fechou os olhos, sorriu e disse:
"É maior do que qualquer sonho. E qualquer um pode ir até lá — basta dar o primeiro pulo."
No canto do brejo, um sapo pequenino olhava com olhos arregalados — e começava a sonhar.